Laranjinha
Trojdens Desmond
Fora de regras, Incluso a diversidades, Fora de opiniões formadas, Incluso a idéias, Fora de contextos, Incluso a discussões... Blog FORA3, incluso a 3 FORAS!
Hoje eu acordei cedo, digo, 8 horas da manhã. Fui ao quintal da minha casa e me deparei com a dona Júlia, lavando roupa. Eu não acho legal lavar roupa, ainda mais roupas que não são minhas.. Fiquei pensando.. e:
-Bom dia Mariana.
-Opa, Bom dia dona Júlia. Minha nossa, muito sol hoje né, dia bonito demais!
-Bom que seca logo a roupa.
Seria essa a finalidade de um dia bonito?
Para a dona Júlia sim.
E eu voltei a dormir.
O céu é claro, é escuro, é noite, é frio, é vento frio, é vida fria, é vida boa, é céu bom
O ar é ar de vida, é ar de mundo, é ar de mato, de chão, é o fim das montanhas, é ar de vida antiga
A cidade é vaga, é rala, é fraca, comum e cega bem como todas essas de minha terra. A cidade pouco importa, o ar é grande, maior.
O céu agora é cheio, nuvens brutas e macias, corações brancos de céus insanos como nossas mentes, como nossos amores, como a deveria a vida ser, assim, bruta e macia, cheia de amores macios e brutos, com moças doces e macias.
À esquerda o sol abaixa-se, à direita nuvens põem-se juntas em frenesi de pré-guerra, preparam-se para botar todas suas armas céu a baixo, água e luz, a lavar este chão; será preciso muita água, anos de água, séculos de água, uma vida de água e luz, uma vida longa, longa como a de deuses. Ao centro, luz e nuvem, resquício de sol, resquício de nuvem. O campo é grande, a vida curta.
A noite é clara, gritos da guerra ecoam em forma de luz na parte escura da noite, relâmpagos, estrondo e estrondo, mais que luz, mais que sol, é guerra, é natureza sem fogo, carne sem brasa, é brasa pura, é real, verdade real, é escuro e sombrio, é mundo, é céu em guerra, é céu em chuva, é Iansã, “deusa pagã dos relâmpagos, das chuvas de todo ano dentro de mim”, dando ordens de batalha, é meu verde na noite em ira com o cinza que lhe oculta a vista e o coração, é tempestade, é o sangue contra o ouro tingido de dor, de insônia. Sou eu contra o ocidente manchado.
Trojdens Desmond
Ele tem braços longos e fortes os quais realizam movimentos grotescos. Uma cabeça desproporcional ao corpo que tem. Uma cabeça pequena. Não é possível ver com nitidez seu rosto, porém eu sei que tem um olhar vazio. O seu líder fala sempre em crescer, crescer, crescer... O líder diz o que pode e o que não pode (na maioria das vezes não pode). Ele vira pro líder e diz: recebo! Ele tem pensamentos, no mínimo, engraçados no meu ponto de vista: “Foda-se quem me odeia.”, “Foda é ser eu.”, “Pegou a senha? ...”.
Carlitos Marx
É isso que é, ele é isto
somos isto, pensamos
Ele não pensa, é,
já é o que é por ser, não por pensar se é
É isso que sapiens não são
é isso que pensam
pensam demais; não se pensa, é-se
É isto que sou, já fui, serei
acabo a cabeça torta aqui
agora o caminho é curvo, turvo
rodas e correntes de vento
chuva e terra, um mundo de fora
flora e cova, uma vida de fora
Trojdens Desmond
Vai, sobe a colina e diz-me, é grande a subida?
Volta, desce a corda e mostra-me, a cor do céu de lá de cima.
Vai, roda aquelas bolas e grita-me, os mundos rodam.
Volta, puxa aqueles bens e pinta-me, os mundos colidem.
Gira e vai, assim como queres, assim com és, vai-te ao rumo em que te postas como rei, mas vai como vagabundo, limpo e torto, envolto de flores e cores, dores e amores. Roda e volta, assim como serás, assim como não verás que foste, vem-te aonde és rei e vagabundo, indiferente e morto, coberto de amores, só amores, amore rossi, quentes e doces, cheios, empanturrados de sabores, diversi. Fecha a vista e corre, corre, para onde imaginas ser o mundo e cai, cai onde o mundo é.
Trojdens Desmond
Mais da cor de mato, mais da cor de rio, mais da cor de chão que é para lembrar-nos de onde vivemos, de como vivemos, com pés no chão.
Mais da cor de céu, mais da cor de nuvem, mais do mais, mais de tudo que é para lembrar-nos de como andamos, com as mãos para os céus, esperando por chuvas e deuses.
Mais das cores de guerra, mas das cores de revoltas, mais da vontade, mais do vermelho e preto, cores que nos guiam para brigas por nossas vidas e amores, menos da guerra, mais das cores.
Menos da cor d'ouro, menos da cor de luxo, menos da cor de quem anda com a mente reta demais que é para esquecermo-nos do que faz nosso pequeno mundo tão sujo, a ostentação, o querer ser grande, ser d'ouro.
Minha cidade-floresta está dourada demais.
Trojdens Desmond



Pintura de Claude Monet - Stroll At The Rocks Of Pourville e Música de Erasmo Carlos - De noite, na cama


Em um mundo onde o Mico Leão Dourado e a Baleia Jubarte correm risco de extinção e contam com organizações para protegê-los, uma espécie brasileira encontra-se à beira do desaparecimento e não despertou a solidariedade de nenhuma ONG nem de nenhum cantor.
Nem um ex-candidato a presidente americano veio ao Brasil fazer palestras em nome dela.
Trata-se da Oposição.
