domingo, fevereiro 10, 2008

O choque da realidade seguido do desprezo.

Hoje eu acordei cedo, digo, 8 horas da manhã. Fui ao quintal da minha casa e me deparei com a dona Júlia, lavando roupa. Eu não acho legal lavar roupa, ainda mais roupas que não são minhas.. Fiquei pensando.. e:

-Bom dia Mariana.

-Opa, Bom dia dona Júlia. Minha nossa, muito sol hoje né, dia bonito demais!

-Bom que seca logo a roupa.

Seria essa a finalidade de um dia bonito?
Para a dona Júlia sim.
E eu voltei a dormir.


Iram Lee

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Céu juruaesco

O céu é claro, é escuro, é noite, é frio, é vento frio, é vida fria, é vida boa, é céu bom

O ar é ar de vida, é ar de mundo, é ar de mato, de chão, é o fim das montanhas, é ar de vida antiga

A cidade é vaga, é rala, é fraca, comum e cega bem como todas essas de minha terra. A cidade pouco importa, o ar é grande, maior.

O céu agora é cheio, nuvens brutas e macias, corações brancos de céus insanos como nossas mentes, como nossos amores, como a deveria a vida ser, assim, bruta e macia, cheia de amores macios e brutos, com moças doces e macias.

À esquerda o sol abaixa-se, à direita nuvens põem-se juntas em frenesi de pré-guerra, preparam-se para botar todas suas armas céu a baixo, água e luz, a lavar este chão; será preciso muita água, anos de água, séculos de água, uma vida de água e luz, uma vida longa, longa como a de deuses. Ao centro, luz e nuvem, resquício de sol, resquício de nuvem. O campo é grande, a vida curta.

A noite é clara, gritos da guerra ecoam em forma de luz na parte escura da noite, relâmpagos, estrondo e estrondo, mais que luz, mais que sol, é guerra, é natureza sem fogo, carne sem brasa, é brasa pura, é real, verdade real, é escuro e sombrio, é mundo, é céu em guerra, é céu em chuva, é Iansã, “deusa pagã dos relâmpagos, das chuvas de todo ano dentro de mim”, dando ordens de batalha, é meu verde na noite em ira com o cinza que lhe oculta a vista e o coração, é tempestade, é o sangue contra o ouro tingido de dor, de insônia. Sou eu contra o ocidente manchado.


Trojdens Desmond

domingo, janeiro 27, 2008

Três e uma

Três que sei, dois e um que vi

nenhum está com


todos estão, estão sem


com desejo de estarem com


todos passaram e sentiram


gostaram e não ficaram

não depende de nós, depende de...



Trojdens Desmond

quinta-feira, janeiro 24, 2008

X ou Y

Ele tem braços longos e fortes os quais realizam movimentos grotescos. Uma cabeça desproporcional ao corpo que tem. Uma cabeça pequena. Não é possível ver com nitidez seu rosto, porém eu sei que tem um olhar vazio. O seu líder fala sempre em crescer, crescer, crescer... O líder diz o que pode e o que não pode (na maioria das vezes não pode). Ele vira pro líder e diz: recebo! Ele tem pensamentos, no mínimo, engraçados no meu ponto de vista: “Foda-se quem me odeia.”, “Foda é ser eu.”, “Pegou a senha? ...”.

(Guardei esse texto por um bom tempo a espera que nosso desenhista desse o ar da graça. O desenho não veio mas o Dia do Evangélico veio.)

Carlitos Marx

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Txai Hänê

É isso que é, ele é isto

somos isto, pensamos

Ele não pensa, é,

já é o que é por ser, não por pensar se é


É isso que sapiens não são

é isso que pensam

pensam demais; não se pensa, é-se


É isto que sou, já fui, serei

acabo a cabeça torta aqui

agora o caminho é curvo, turvo

rodas e correntes de vento

chuva e terra, um mundo de fora

flora e cova, uma vida de fora


Trojdens Desmond

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Testa juruaesca

Vai, sobe a colina e diz-me, é grande a subida?


Volta, desce a corda e mostra-me, a cor do céu de lá de cima.


Vai, roda aquelas bolas e grita-me, os mundos rodam.


Volta, puxa aqueles bens e pinta-me, os mundos colidem.


Gira e vai, assim como queres, assim com és, vai-te ao rumo em que te postas como rei, mas vai como vagabundo, limpo e torto, envolto de flores e cores, dores e amores. Roda e volta, assim como serás, assim como não verás que foste, vem-te aonde és rei e vagabundo, indiferente e morto, coberto de amores, só amores, amore rossi, quentes e doces, cheios, empanturrados de sabores, diversi. Fecha a vista e corre, corre, para onde imaginas ser o mundo e cai, cai onde o mundo é.

Trojdens Desmond

sábado, dezembro 15, 2007

Cores, aqui, poucas



Cores, mais cores, cores, cores com ares de cor d'amor, cores com ares de cor de muito, muito de várias, várias das cores quer rodeiam o mundo, rodeiam os mundos.

Mais da cor de mato, mais da cor de rio, mais da cor de chão que é para lembrar-nos de onde vivemos, de como vivemos, com pés no chão.

Mais da cor de céu, mais da cor de nuvem, mais do mais, mais de tudo que é para lembrar-nos de como andamos, com as mãos para os céus, esperando por chuvas e deuses.

Mais das cores de guerra, mas das cores de revoltas, mais da vontade, mais do vermelho e preto, cores que nos guiam para brigas por nossas vidas e amores, menos da guerra, mais das cores.

Menos da cor d'ouro, menos da cor de luxo, menos da cor de quem anda com a mente reta demais que é para esquecermo-nos do que faz nosso pequeno mundo tão sujo, a ostentação, o querer ser grande, ser d'ouro.

Minha cidade-floresta está dourada demais.


Trojdens Desmond

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Cores, aí, algumas

A alma é
o ser faz-se
o Mundo é
os seres...


Mundo de cinzas, cinzas cores, cinz'almas, cinzas seres, tristes seres, melancólicos, de amores baixos, emoções finas como superfícies de águas paradas, inteligências vagas, vontades, ah, quão simples vontades, que mundo, ah...


Mundo marrom, de marrons, gente morena, de amores morenos, doces méis, mel que marrom pode ser, que aqui é, certamente, tão quanto o belo rio, que de barro, folhas e árvores faz-se marrom, troncos, marrons, de vida, vida para nativos, marrons eles, como os rios, marrons de vida.


Escurinhas luzes, negros orbes, planícies baixas, seres altos, almas pretas, negras, escuras, mundo de correntezas de igarapé, igarapés pretos, pretos de folhas, negros de vidas e frescores; peixes e peixes, fartura tal qual tabuleiros de negras em terras mais altas, aqui, nos baixos das águas, é verde de matas, farinha amarela, peixe branco, mulatas e marrons caboclos.


Trojdens Desmond


Fotos da série Tribe (BBC), episódio The Matis

segunda-feira, novembro 26, 2007

Foras.


Mente, físico e emocional distinto. Um contradiz o outro, um explica o outro, um completa o outro.
E por algum momento, três mentes viram uma só, três corpos unidos, três emoções, construindo uma vida de três estranhos, três conhecidos, uma vida de três amigos. Três amigos Foras.





Iram Lee







*Arte e foto de Jotapê Araújo

sexta-feira, novembro 23, 2007

Noite de sombra e brilho

No contínuo da noite, que já é dia mas ainda escura, escura não para esconder a vida, libertá-la, mesmo não sabendo que vida é. Vida que sei não ser meu mundo, noite, vida que não vivo, que não me encaixa.
Noite que não quero mais que em mim encaixe, noite/manhã que a alegria não é criar, é só extravasar, foder, cheirar, fumar, esquecer o que se faz em turnos diurnos, esquecer, só esquecer, não mudar, deixar continuar a decadência da manhã, das tardes estragadas pelo trabalho, não inventar, ser burro, paco, parvo, beber, beber, esquecer.



Bela ela brilha, acima de mim, infinita, acima de nós, finitos seres que pensam pensar; lá ela bela me chama, penso eu que chama, quero eu que chame, desejo eu estar lá, ou aqui, junto a ela, anseio que venha, sonho que aqui caia, que aqui brilhe, pois seu brilho, lá, é apenas para ver, meu desejo é mais que ver, meu desejo é mais que minha cabeça, mais que eu, meu desejo é ela em tamanho, é ela, estrela que brilha e fica, fica lá sem mim, é ela, estrela que brilha e deixa, deixa-me aqui sem ela.


Trojdens Desmond

*Pintura A Noite Estrelada, Vincent van Gogh, 1889

domingo, novembro 11, 2007

Phynkyn de vida e morte


Um amor de um dia tanta vida é quanto uma vida, essa de monte de dia, é tanta loucura quanto uma de loucuras, como esses que vemos passar e não vemos o que são, e quão belas são, as loucuras.

Um espaço abriu-se, espaço vazio e cheio - uma visão presa nada ver, cheio e vazio o mundo é, duma forma ou de qualquer outra. O espaço, vazio e cheio, torna-se o que se quer, conforme a visão, ofuscada ou não, viva ou não, bela ou não; a tua, ofuscada, desfocada, imersa na desgraça da mentira, isso que dizem vida, a real. O branco e o verde, tal que defumado, fumado por-te-á em vendas, vendas infinitas de cheio, cheio onde pensavas vazio, serás tu o cheio em teu espaço, eu próprio até que chegues a colidir e fundir-te com outros tantos, tão imensos e empanturrados quanto tu.

Meu amor de um, meio dia, não me disse tanto, apenas fez-me sentir o que imagino ser aquilo que acabo de escrever em linhas acima.

O verde que quero é o meu, vivo, pronto para que o cheire, pronto para que inunde-me, jogue-me ao fundo das folhas, vivas, das águas, da terra, dos espíritos, daquilo que só vê eu e tantos outros capazes. Verde pronto a fincar-me no fundo de meu ser, de meus inconscientes seres, phynkyn meu divino; este sim meu espaço, agora cheio, sempre cheio, vazio de nada.


Trojdens Desmond

sábado, outubro 27, 2007

À menina bonita

Deveria eu falar (retalhar) da moça que me chamou de “revolucionário de merda” (ela não pronunciou a palavra merda, é verdade, mas é que dá uma emoção mais legal, mesmo já se sabendo a verdade); disse ela assim: “... que mão é essa que cria um filho que disse que não vai tirar o título de eleitor pra não votar?...”. Favor, né, minha dama. Para ficar como uma resposta, ações minhas virão para provar o //merda// que sou, pois discutir, já disse um certo moço inteligente, é para aparecer. Falarei apenas da minha mais nova alegria.

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Beleza é alegria, minha felicidade total, só isso e nada mais; superei os instintos primitivos, próprios de nossas matérias e que habitam meu inconsciente, não penso em crias, cópula, não penso apenas no calor da carne em minha boca, em meu corpo, alegro-mo só em ver tal pele morena, cor de meus sonhos, cabelos negros e corpo que certamente superaria Afrodite, se esta estivesse aqui, alegrando-me ainda mais. Minha mente pára, meu sangue pára, eu sinto querer pular para de mais perto ver, mas meu corpo é um corpo morto, meu espírito já está lá, ao lado da beleza doce, saiu, abandou-me, disparou como um raio de Zeus, mais rápido que qualquer descarga elétrica de meu cérebro.


Na volta de meu eu flutuante volto a pensar, mas pensar nunca é bom nesses momentos, a mente humana é tão estúpida quanto magnífica e complexa. O mundo, esse mundo de culturas hipócritas e insanas, ainda mais estúpido, produz seres vagos, vazios; quero deusas, lindas e tudo mais, a esperteza das ações e das idéias embebeda-me em igual teor à beleza.


Quero deusas, e não só para ver, deusas para amar. Quero aquela moça bonita, mas como deusa, não apenas bela, por mais esplendorosa que seja, por mais que já me faça delirar, por mais que já me tenha os olhos para si; quero que me tenha o coração e o espírito, meu todo eu, eu todo para si.



Trojdens Desmond

Pintura de Claude Monet - Stroll At The Rocks Of Pourville e Música de Erasmo Carlos - De noite, na cama

domingo, outubro 14, 2007

Nêta que não é nêta de verdade

*

Caiu, caiu, caiu, a nêta caiu! A nêta cai toda hora, todo dia, parece galinha manca, porra, e cai mais na hora em que mais apetecemos dela, nêta desgraçada, nas madrugadas, que estamos já sólitos, solitários, e agora indignados dignamente, pois não poder conversar, impedidos por distâncias, violências, garoas, pais e quedas do único meio possível é merda. E nós que ficamos nas noticias, atentos para o que possa surgir de novo, ali, nas primeiras horas da manhã, seriamos os primeiros a saber, agora não podemos fingir-nos interessados nos acontecimentos de nossa terrinha, sem graça que só ela, que parece cair também tanto quanto a nêta, revolucionário que só ela podia ser, mas que cai, cai por incompetência da ditadora, monopolista, que não consegue colocar novas portas, pontos, o diabo que seja, sem deixar-nos no auge da raiva, não é.

Desgraça, joguemos pedras na cabeça da burra, filha-da-puta que é essa empresa, que de tão filha-da-puta só proporciona a nós, acreanos, 10% da banda, ou que seja, para download, que é simplesmente nossa maior alegria, burlar o mercado, as empresas fonográficas, cinematográficas e as demais que existirem; felizes vivemos a viver na cultura que é as musicas e filmes que jamais viveríamos sem “baixar”, como santo, mas mais felizes estaríamos com total possibilidade de ter o que quisermos a velocidades e rapidezes que acreano nenhum (alguns conhecem é verdade, mas é porque não moram nessa nossa bela cidade-floresta, da qual tanto orgulho-me) conhece, mas sonha, ah se sonha. Merda.

O monopólio deixa você e a nêta quebrados, você, o internauta, porque o monopolista fica só com o gozo da desgraça alheia.


Trojdens Desmond

*Arte de Jotapê Araújo

quarta-feira, outubro 10, 2007

Não é milico nem crente


A vida do dentro está ocupando-nos o tempo, tempo de estar fora, fora da vida de dentro, de estar dentro do fora, este lindo mundo nosso que tenta, por vezes, afundar o mundo de dentro, derrubar o que de tão feio há dentro do mundo de dentro.

Estamos fora do fora para aprender, com quedas e subidas, como viver no fora e, até, no dentro.

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Existe um troço (“troço” aqui com este som de bosta de vaca, pejorativo, que você escutará ao ler é uma coisa – que falta de vocabulário minha – que eu não gosto, ora bolas) no ar de hoje em dia muito estranho, não tenho nome para isto – nem vocabulário tenho. Em comerciais televisivos, onde pessoas – supostamente de boa aparência, para mim aquelas moças branquinhas, loirinhas, lisinhas de cima a baixo, com um sorriso feito por mãos e alfinetes não me agradam nem um pouco, sem milongas, realmente não me agradam – compram casas e tevês e carros e celulares e cadeiras e ventiladores e bombons e roupas e o diabo que apetecerem-nas; personagens que vão do “baixo” ao “cima” em segundos e até milésimos. Claro, tudo isso devido a um cartão, um perfume e até xampus e sabonetes.

Não é só no lixo que é a propaganda, também na tevê em geral e conseqüentemente no povo, dito real – porque real mesmo só sonho, que não em segundos, mas em dias e meses e anos saem com casas e carros e tevês e celulares e cadeiras e madeiras e troncos novíssimos, tudo na maior felicidade, com aqueles brutos sorrisos; e ao ver um simples pedinte, um pobre pé-rapado como eu, vira a cara ainda com despeita de mandar-nos à labuta. Tudo bem que é preciso esforçar-se um pouco na vida, mas pedir já é um esforço gigantesco.

Essa desgraça toda é conseqüência da maior de todas, os anos 80. Aqueles comunistas bestões e fervorosos (no pior dos sentidos) e sem ideologias, agora sorriem, e fazem uns novinhos também sorrirem, para fingirem serem humanos.

Trojdens Desmond

quinta-feira, setembro 20, 2007

Manga e saia


É época de manga, manga é doce, manga tem história, tem estória. Tudo tem história e estória, é verdade, mas nem tudo tem história e estória que comova e convença, a saia que cobre o joelho e vai até a canela, algumas finas, é uma desgraça, é feia, e bem que já deve ser desde o sempre. É usada por um certo grupo de mulheres, vivas pessoas, algumas belas outras nem tanto, sempre cinza, preta ou uma cor estranha qualquer; moças de um um grupo de gente, pessoas, também pensantes, talvez. Grupo que mostra o desgosto pela beleza, pelo belo, pela vida bem vivida, também pela saia, além das vestes dos rapazes que tão feias, padronizadas, estilo militar, são.


Nós homens, jovens e velhos, brasileiros que somos, que apreciamos a vista de una bella donna, perdemos mais um montante de senhoritas para a ditadura mental de mentes inférteis, alimentadas pela pobreza de suas casas, seus bairros, suas cidades.

Trojdens Desmond






Arte de Jotapê Araújo



sexta-feira, setembro 07, 2007

O morro vem aí


*O morro não tem vez
E o que ele fez já foi demais
Mas olhem bem vocês
Quando derem vez ao morro
Toda a cidade vai cantar

Morro pede passagem
Morro quer se mostrar
Abram alas pro morro
Tamborim vai falar
É um, é dois, é três
É cem, é mil a batucar

O morro não tem vez
Mas se derem vez ao morro
Toda a cidade vai cantar



Deram vez ao morro, ao moro errado, aqui vem ele descendo, não especificamente os moços e moças variados, a cidade toda - não que os moços e moças sejam favelados por serem gays, são favelados por morarem aqui, Rio Branco. Eu disse, aliás, titio disse, o morro vem aí. Dia 16 de agosto, a oficialização da favela acreana, sem morros no físico, com morros na alma, desgraçada essa.

Trojdens Desmond



*Favela (O morro não tem vez) - Antônio Carlos Jobim e Vinicius de Morais

segunda-feira, setembro 03, 2007

SEM OPOSIÇÃO, NÃO HÁ DEMOCRACIA

Em um mundo onde o Mico Leão Dourado e a Baleia Jubarte correm risco de extinção e contam com organizações para protegê-los, uma espécie brasileira encontra-se à beira do desaparecimento e não despertou a solidariedade de nenhuma ONG nem de nenhum cantor.
Nem um ex-candidato a presidente americano veio ao Brasil fazer palestras em nome dela.

Trata-se da Oposição.



Iram Lee


sexta-feira, agosto 31, 2007

O Acre tem, tem mais que ló


O Acre tem o quê tem, história e estórias, tem espirito, que é acreano por questão de nome, que realmente é mais que um espirito de trabalho e “avanço”, machado e enxada, foice e martelo, é mão e pé, chão e água, verde, real verde, verde mais que ideologia messiânica e econômica, verde de sol, terra e água.

O Acre tem gente de morro, desejosa e expctosa* de descer, gente cega, <<Não há morro aqui!, há mais que isso, floresta, há a possibilidade de cidade sem morro, com o semblante de mata: fértil, organizada, bela, grande, única. Gente cega, não vê o quê há, o início de sociedades, de culturas, a chance de iniciar sem erros, correr sem jogar-se a abismos, largar de velhos bordões e botões.

O Retrato do Acre está na fé líquida e transcendente: a chegada para a batalha do corte, a miração da floresta, a criação do quê é mais que adoração, trabalho e realização. O Retrato merece ser seguido, merece ser visto, merece ação. Eu mereço, também, algo, algo novo, mais que Brasil e Acre Moderno, o único moderno velho, devo-me.


Trojdens Desmond

Paixão nas palavras há-de ser considerada.

domingo, agosto 26, 2007

Cotidiano

Semana passada, eu estava tentando ver tv. Aí começou um filme chamado "Independence Day", o qual por motivo desconhecido não podia ser traduzido. Logo na primeira imagem aparece a linda bandeira dos Estados Unidos tremulando na Lua. Tava ventando! Na Lua! Em seguida, o narrador fala “... os homens que vivem na Terra...”.

Sim, amigos. Eu desliguei a tv.

Carlitos Marx

segunda-feira, agosto 06, 2007

Feijoada Completa

Eu tava triste, tristinho... mais sem graça que a top model magrela na passarela. Será só imaginação? Mas eu não quero ficar aqui enquanto uns dormem. Eu gosto de ficar só mas gosto mais de você.

Eu quero uma casa no campo e tenha somente a certeza dos amigos do peito e nada mais ou é o fim do caminho? Olha lá, quem acha que perder é ser menor na vida!

Por esse pão comer, por esse chão pra dormir deus lhe pague. A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte. A solução é alugar o Brasil.

A melhor forma de escolher é provar o gosto. Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante. Todo homem tem direito de pensar o que quiser e há de ser tudo da lei. Um sapato em cada pé, direito de ser ateu ou de ter fé.

Quando criança alguém disse que vida era só felicidade. O que que você vai ser quando você crescer? Um cara muito importante? Te falei que o importante é competir mas te mato de pancada se você não ganhar.

Já está provado por A + B que A + B não prova nada. Que pra quem tá indo, quem vem vindo na verdade é quem tá indo. Te encontrei toda remelenta e estronchada num bar entregue as bebida. Comer tatu é bom.

Eu bato o portão sem fazer alarde, eu levo a carteira de identidade, uma sadeira, muitas saudades e a leve impressão de que já vou tarde. Se chamarem, diga que eu sai!

Carlitos Marx